Quantas despedidas o caro leitor viveu no decorrer da sua existência até os dias atuais ?
Muitas, pois a vida é uma sucessão de encontros e despedidas de importância variada dependendo do grau de afeto envolvido e circunstâncias especiais como alguém querido que passará a residir em outro país.
Essas cenas no aeroporto assumem proporções dramáticas com uma torrente de choro para expressar o nó na garganta que surge quando o que resta é um aceno de adeus e a cruel incerteza de um reencontro. Uma crueldade limitada pela segurança de acreditar de que um dia num determinado ponto do tempo e do espaço aquele que partiu estará ao nosso lado proporcionando bons momentos.
Algo muito diferente dos imigrantes que vinham para o Brasil no início do século passado com a despedida num dia inesquecível que normalmente ocorria num porto marítimo. Familiares e amigos eram deletados de uma forma irreversível e, entre eles, os que tiveram suas vidas ceifadas nas duas grandes guerras que tiveram o continente europeu como cenário principal. Um mix de esperança e tristeza para os viajantes.
Essas cenas no aeroporto assumem proporções dramáticas com uma torrente de choro para expressar o nó na garganta que surge quando o que resta é um aceno de adeus e a cruel incerteza de um reencontro. Uma crueldade limitada pela segurança de acreditar de que um dia num determinado ponto do tempo e do espaço aquele que partiu estará ao nosso lado proporcionando bons momentos.
Algo muito diferente dos imigrantes que vinham para o Brasil no início do século passado com a despedida num dia inesquecível que normalmente ocorria num porto marítimo. Familiares e amigos eram deletados de uma forma irreversível e, entre eles, os que tiveram suas vidas ceifadas nas duas grandes guerras que tiveram o continente europeu como cenário principal. Um mix de esperança e tristeza para os viajantes.
Tudo muito relativo e incomparável com a situação quando o imponderável acontece e a despedida numa UTI ou no trajeto para um Centro Cirúrgico passa a ser a tragédia que representa uma guinada de 180 graus em nossas vidas quando planos são protelados ou mesmo deletados pela impetuosidade da morte. Aquela que pode gerar a desgraça súbita quando se trata de um acidente fatal.
Dias sombrios passam a ser a sequência do tempo para os que ficam e a saudade embalada pelo sofrimento, o grande algoz.
O tempo deixa de ter um significado especial. Já não sabe e também não importa se é Domingo ou Quarta-Feira e algumas atividades essenciais passam a ser executadas automaticamente. O cuidado com a aparência e higiene pessoal ficam seriamente comprometidos. Tudo dentro da guinada de 180 graus mencionada no parágrafo anterior com alterações que são a expressão do que há por trás das mesmas: a dor.
O tempo deixa de ter um significado especial. Já não sabe e também não importa se é Domingo ou Quarta-Feira e algumas atividades essenciais passam a ser executadas automaticamente. O cuidado com a aparência e higiene pessoal ficam seriamente comprometidos. Tudo dentro da guinada de 180 graus mencionada no parágrafo anterior com alterações que são a expressão do que há por trás das mesmas: a dor.
Essa é a fase mais difícil do luto. É (dolorosamente) necessário entender que jamais voltaremos a ver o ente querido que partiu para uma jornada sem volta.
Muitos terapeutas estimam em 3 meses o tempo de “aprendizado” para viver sem a companhia de quem faleceu, porém, nas desgraças humanas o tempo é relativo quando sentimentos variáveis de intensidade como o amor estão na questão. É importante ter em mente que o luto é um processo de mudança e a morte determina o encerramento de uma vida, mas não o de uma relação.
Visualizar a morte como uma espécie de castigo é um obstáculo quase intransponível quando se enfrenta o luto e uma ajuda terapêutica profissional se converte numa necessidade urgente para evitar alterações negativas bruscas na saúde como a Depressão e doenças psicossomáticas.
A sensação de etapas vencidas passa a ser evidente quando se passa a lembrar com alegria do ente querido e viver o passado sem amarguras até a cicatrização da ferida.
Não há receita disponível. Batalhas serão perdidas e disputadas novamente até que o sentido da vida seja recuperado em sua plenitude e a coragem para enfrentar novos desafios será a grande parceira para confirmar o prazer de viver e conviver com a saudade, o tema deste texto. Aquela que reserva espaços nostálgicos em nosso coração para lembrar os momentos felizes vividos em momentos e lugares do passado. Uma lembrança serena e sem o flagelo da dor.
Se o tempo é anestésico, vale a pena uma overdose.
Omar
Omar

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