“ Quero chorar e não tenho lágrimas que me rolem na face pra me socorrer......” (Milton de Oliveira e Max Bulhões)
Talvez seja difícil encontrar uma forma de expressão mais eloquente da sabedoria popular do que as canções que alcançam o sucesso. Este, uma evidência incontestável de que a mensagem atingiu o alvo nos corações sensíveis de ouvintes da era do rádio no século passado quando a canção, cujo trecho reproduzimos na abertura desse texto, era um sucesso absoluto.
Uma época diferente para os que a viveram quando até o nome de uma doença grave (Cancer) era sussurrado ou até substituido por “doença ruim” porque significava um passaporte para a viagem sem volta, e por esse motivo, pronunciar o mesmo poderia ser uma atração para a fatalidade. Algo tragicômico visto com nossos olhos de hoje, porém, ocorria pelo principal meio de comunicação da época : “a voz do povo” . Eficaz porém, às vezes, uma inevitável divulgação da ignorância e nem sempre representava a voz de Deus.
Uma época diferente para os que a viveram quando até o nome de uma doença grave (Cancer) era sussurrado ou até substituido por “doença ruim” porque significava um passaporte para a viagem sem volta, e por esse motivo, pronunciar o mesmo poderia ser uma atração para a fatalidade. Algo tragicômico visto com nossos olhos de hoje, porém, ocorria pelo principal meio de comunicação da época : “a voz do povo” . Eficaz porém, às vezes, uma inevitável divulgação da ignorância e nem sempre representava a voz de Deus.
Chegamos, enfim, à palavra certa: ignorância. Aquela mais adequada para definir o comportamento de quem censura e procura reprimir o direito alheio de chorar. Uma reação natural e necessária com o detalhe de que há menção científica no sentido de apontar que as lágrimas de tristeza são bioquimicamente diferentes das lágrimas provocadas pelo riso e pela felicidade. Um canal de desabafo que ajuda a liberar substâncias químicas do organismo.
Lidar com o sentimento de perda é uma tarefa das mais espinhosas e cooperar com o inevitável, ou seja, a vontade de chorar, uma postura das mais sábias. Uma postura que envolve respeito pela doutrina religiosa que, para reprimir o choro, utiliza como argumento a suposição de que o mesmo pode prejudicar o ente querido que partiu e se encontra no plano espiritual.
Considerando que se trata de de uma perda bilateral, ou seja, para quem “partiu” e para quem “ficou”, é difícil acreditar que a justiça que se origina de uma divindade superior aceitaria que apenas uma das partes tivesse reprimido o seu direito de exposição ao sofrimento visando ultrapassar essa fase de intensa dor. A geração de polêmica faz parte dessa experiência de vida pela qual todos nós passamos inevitavelmente e parece que estamos diante de mais uma.
Quando se estabelece a polêmica, a Ciência, o grande patrimônio do conhecimento humano se torna uma presença mais do que necessária na questão. A mesma explica que a Depressão, um estado acentuado de angústia que vem acompanhado de uma série de sintomas físicos e psíquicos, compromete de forma séria a qualidade de vida de quem está em luto e gera a redução de substâncias necessárias à saúde emocional, principalmente a serotonina e a noradrenalina. A contração da glândula lacrimal, que libera a lágrima, é uma forma de defesa instintiva do organismo.
Ultrapassada a abordagem da polêmica, é mais do que necessário ter a consciência do aprendizado nessa grande aventura que é a vida. A dor pode nos ajudar a ser mais sensíveis em relação aos outros e num determinado momento do futuro esse aprendizado será um importante elemento de ajuda para apoiar alguém que esteja na fase aguda do luto. Nesse apoio jamais poderá ocorrer a repressão ao choro, uma atitude totalmente oposta à solidariedade compassiva.
Vamos forçar uma sequência de rimas e criar um “slogan” para defesa deste manifesto em defesa do choro:
“No banheiro ou no travesseiro, o choro é tão precioso como o dinheiro”.
Omar
Omar

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