“A solidão foi o preço que você pagou. O papel mais duro que você interpretou.
Hollywood criou uma super estrela e a dor foi o preço que você pagou”
(“Candle in the wind” – “Como uma vela ao vento” )
Uma canção de Elton John para um tributo a Marilyn Monroe, um ícone do show business do século passado. Uma suicida.
Temos nessa situação obviamente polêmica um festival de “tribunais” para julgar quem opta por esse portal de fuga. Religiosos, científicos, e principalmente a “voz do povo”. Neste último caso quem opina incorpora o papel de Promotor e Juiz e muitos não hesitam em rotular de “covarde” o fugitivo.
Parece que a situação de impotência do suicida diante de uma Depressão profunda está longe de ser compreendida sob o manto da empatia. Aquela que parece tão difícil nesse julgamento e tem uma semelhança acentuada com a opinião de Mel Gibson sobre a Austrália, país onde viveu grande parte de sua vida:
“ Você tem que viver lá para entendê-la”
Cada “tribunal” tem seus argumentos. Alguns de natureza filosófica, dogmática ou mesmo a concepção pessoal de que jamais irão vivenciar uma Depressão na trajetória da sua existência. Neste último caso, uma aposta arriscada no cassino da vida.
Há perguntas de resposta dificílima como, por exemplo, esta:
“ Você condenaria quem saltou para a morte no atentado às Torres Gêmas, o famoso “11 de Setembro”, quando estava sendo atingido pelas chamas do incêndio ? “
Sem qualquer sombra de dúvida, um suicídio polêmico considerando que a morte “natural” resultaria num corpo calcinado de quem não optou pela “fuga”.
O bombardeio de preocupações que assola o ser humano sejam de ordem financeira, profissional, emocional e muitas vezes por motivo de saúde, representa em alguns casos uma associação com sentimentos de autodestruição quando viver se torna difícil e inviável. Estamos falando sobre a décima causa de morte no mundo que provoca uma dor aguda nos entes queridos “que ficam”.
Como nosso objetivo é o apoio ao luto, tudo que foi digitado acima passa para um segundo plano quando o primordial é enfrentar o sofrimento por quem perde um familiar, parente ou amigo nessas condições. A morte já ocorreu e opinar sobre o gesto extremo de quem partiu parece ser uma situação de desdobramento infrutífero.
Familiares mais próximos passam a viver uma sensação de choque e incredulidade. A imagem chocante do encontro do cadáver será um flagelo quase definitivo por ser impossível de esquecer.
O questionamento envolve com muita frequência uma busca de uma explicação para a tragédia que pode levar anos. Uma busca muitas vezes frustrante porque as razões reais jamais poderão ser conhecidas.
Esse questionamento pode se converter num motivo de tensão nas relações familiares principalmente quando ocorre a existência de um elemento de culpa. Um luto diferente dos demais, porém que não difere no aspecto das armas disponíveis para enfrentamento nessa sequência de “batalhas” que irá ocorrer após o sepultamento. São tradicionais, porém, muito necessárias :
- Grupos de Ajuda específicos para o luto (no Brasil são raridades)
- Ajuda profissional de Psiquiatras e/ou Psicólogos
- O amparo da fé em uma divindade.
- Para os que acreditam, uma comunicação via Psicografia com o falecido.
Cooperar com o inevitável no sentido de aceitar a morte com todo o questionamento embutido é a grande meta inicial, ou seja, a realidade da morte tem que ser absorvida com o aprendizado de viver sem a companhia de quem faleceu. Não será uma deslealdade com o mesmo.
Não há como evitar o óbvio e registrar que nada será como antes e ocorrerão sim mudanças de porte significativo nos valores e sistema de vida.
Ousar lutar é ousar vencer e a vitória final, após ter a passagem do tempo como grande aliada, será uma oportunidade de crescimento para viver um passado sem amarguras.
Omar