segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

- PESSOAS ESPECIAIS - O FAROL CONSOLADOR NA NOITE DE TORMENTA


As obviedades às vezes são um mal necessário para abordagem de um tema e a obviedade da vez é registrar que o luto é uma estrada pavimentada por alegrias e decepções geradas pelas relações interpessoais. A esquiva de amigos ou parentes quando um apoio era a certeza absoluta e o conforto improvável de um desconhecido  nos leva a exaltar a frase do Padre Antonio Vieira:
"Certos amigos não são os amigos certos"
Os amigos e parentes certos são pessoas especiais. Aquelas que tem a habilidade de dividir sua vida com  outros.
 Elas são honestas na palavras e nas atitudes. São sinceras e compassivas e tem a consciência de que se a compaixão fosse o sentimento predominante na humanidade, tragédias genocidas como o Holocausto jamais teriam ocorrido.
E sempre dão por certo que o amor é parte de tudo. É o ingrediente principal que caracteriza a atuação no palco do teatro da vida.
As pessoas especiais são aquelas que tem habilidades para se doar aos outros, e de ajudá-los com as mudanças que surgem em seus caminhos. A morte de um ente querido é uma mudança traumática embalada pelo sofrimento. Não há necessidade de vivenciar esse sofrimento alheio para ter noção dos danos emocionais. Ser especial é ter o dom magistral da empatia e utilizar o  conforto das palavras consoladoras para estar presente nesse momento desesperador de um amigo ou parente.

As pessoas especiais são aquelas que se permitem o prazer de estar próximo aos outros e se importam com a felicidade deles. Elas vieram para entender que o amor é o que faz a diferença na vida. E que o aspecto incondicional deste amor é o mesmo de um cão pelo seu dono, seja ele  milionário ou indigente.
As pessoas especiais são aquelas que realmente tornam a vida mais bela.
Procuramos tanto algo que se chama felicidade que nessa busca não percebemos quantas vezes fomos contemplados com a beleza da vida que pode ter sua base nas relações interpessoais.
Queremos tanto o impossível, que não percebemos quanta coisa ainda é possível como conviver com a benção representada por um amigo ou parente especial.

Sonhamos tanto com os melhores momentos que só percebemos quando eles já se foram.
Por isso viva somente o presente aproveitando ao máximo todos os momentos felizes que te acontecerem e jamais se esconda diante do sofrimento alheio. Seu ombro é o amparo que coloca você no clube dos eleitos pelas divindades para tornar sua existência no planeta uma fonte de amor.
Seja especial e encare com naturalidade a pergunta reveladora:
O que você teria a perder ?


Omar Manzanares


Inspirado em tema sugerido por Luci Karpfenstein- Centro Espírita Ana Vieira




terça-feira, 13 de novembro de 2012

- NATAL E ANO NOVO. O VAZIO QUE NOS ATINGE EM CHEIO



Uma época na qual a reflexão sobre a vida assume um papel de destaque e a ausência de um ente querido estará dolorosamente marcante em contraponto ao fascínio da posse sobre qualquer bem material que o enlutado poderá receber como presente. Um clima geral de alegria e a dor reservada e segregada em corações ainda em sofrimento. Choro incontido e escondido que caracteriza a postura semelhante à de um incêndio  quando para combater as labaredas só resta minimizar os danos considerando que a Depressão encontra um campo enorme para avançar e prostar suas vítimas.

Os problemas paralelos como desemprego, instabilidade financeira,etc  se constituem nos ingredientes negativos no coquetel que vai gerar um trago amargo.

Sugestões práticas para enfrentamento existem e devem ser tentadas com determinação principalmente a dedicação  à Filantropia. É  através dessa "ferramenta" que nos deparamos com uma variedade enorme da graduação do sofrimento humano , o qual temos o poder de minimizar através da caridade e a eficácia gratificante que a mesma gera em nossa alma em busca de um momento de paz para ingressar em novo ano com uma estrutura mais sólida para a aceitação dessa ausência que maltrata tendo como grande "auxiliar" a lembrança de momentos vividos em  eventos natalinos anteriores. Não vamos escapar dessa se for considerado o evento em si independente da crença ou negação da existência do Cristo.

O início do último trimestre do ano se transforma numa  largada para uma contagem regressiva que envolve o enlutado sofredor o qual vê no horizonte mais próximo o mês de Dezembro e suas características que induzem a um clima de confraternização e um evento top no Calendário Promocional de várias empresas em busca do pico de vendas. A inutilidade da indignação sobre essa concepção mercantilista é um convite à resignação para aceitar o fato de que essa característica não mudará no futuro.

Considerar que muitos   presentes são doados com amor é uma postura racional e qualquer ação movida por esse sentimento afetivo será um marco respeitável e positivo nas relações interpessoais.

O ente querido que causa a saudade dolorosa não estará presente. Um flagelo íntimo de proporções insurportáveis para alguns com o detalhe adicional que terão que tomar a decisão de não  prejudicar um ambiente festivo ao irradiar tristeza. Optar pela solidão e buscar uma  dose extra de tenacidade para o enfrentamento dessa  batalha que o calendário torna inevitável é uma das saídas mais sofridas. Uma opção a ser respeitada embora, como sempre, mal compreendida considerando a incapacidade de empatia da alma humana que jamais terá uma noção real do que significa a perda de um ser amado até viver essa inevitável situação.

Pessoas especiais tem esse poder de empatia, porém, são uma minoria silenciosa diante do som produzido pelo dobrar dos Sinos de Belém. São, por exemplo, os plantonistas do CVV que tem como escopo humanitário a prevenção ao suicídio e estarão sempre a postos para dar conta  do aumento dramático do número de chamadas telefônicas enquanto o galo tem a celebração da sua missa.

A determinação na ultrapassagem desse período é tudo. Buscar a convicção que amanhã será outro dia (ou outro ano) é a essência da preservação da vida  através da iniciativa de absorver a concepção de que ousar lutar é ousar vencer. Essa ousadia está implícita na nossa humildade em buscar e aceitar ajuda profissional, religiosa ou simplesmente humanitária de entidades e pessoas voltadas para essa postura altruísta.

Omar Manzanares

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

- VIUVEZ E LUTO PELA MORTE DO CÔNJUGE

 

Para os psicólogos, se o luto pela morte de um filho é dos mais dolorosos, a perda do cônjuge é considerada um golpe psicológico grave.
 

Você viveu com o cônjuge o passado (durante o noivado), o presente (a relação conjugal, a qual sempre esteve cercada de pequenos ou grandes conflitos, de compromissos econômicos e de responsabilidades compartilhadas) e o futuro (que representava os projetos, os quais já não poderão ser compartilhados, portanto você os assumirá sozinho (a) ou simplesmente cairão no esquecimento).
 

A psicóloga clínica Doris Jaramillo sustenta que a recuperação pela morte do cônjuge dependerá do grau de afeto ou, ao contrário, de conflito existente entre os dois, assim como das expectativas e da dependência mútua no momento da morte.
 

Se você teve uma relação conflitiva com seu esposo ou esposa, certamente, depois da sua morte, virão à tona muitos complexos de culpa. Você se cobrará continuamente por não ter feito algo para que o casamento se tornasse mais feliz ou pensará que talvez ele (a) não tivesse sido tão mau, mas você nunca o (a) entendeu. Além disso, talvez não falte quem lhe diga: " Bom, pelo menos você descansou dele (ou dela)" ou "Deus quis que isso acontecesse para que você pudesse refazer sua vida". Esse tipo de consolo, em vez de favorecer seu estado de ânimo, confude e invalida seu direito ao luto, quaisquer que tenham sido as circunstâncias que cercaram seu casamento.
 

Se sua relação era muito intensa e feliz, a raiva diante do que aconteceu será a sua primeira sensação: "Deus, por que foste tão injusto comigo?" ou "Por que o (a) levaste de mim, se éramos tão felizes ?". No entanto, como você não guarda rancor do ser amado e não tinham problemas graves, a perda será dolorosa, porém, não traumática. Essa relação entre os cônjuges, forte e vital, contrária àquela caracterizada por graves incidentes, implica uma dificuldade maior para aceitar a realidade da perda. Consequentemente, será muito doloroso aceitar viver sem a outra pessoa durante os primeiros meses e, muito mais ainda, pensar que no futuro terá uma relação com alguém.
 

No entanto, depois de um ano aproximadamente, suas expectativas serão mais claras, levando-o (a) a aceitar a perda e voltar a ter controle sobre sua vida. Será capaz de tomar decisões e a imagem idílica do cônjuge se esvaecerá lentamente. Recordará que seu esposo ou esposa tinha virtudes assim como defeitos. Então, começará uma nova vida.


Sugestões para superar o luto:
 

* Não oculte sua dor procurando evitar o sofrimento dos filhos. Isso não só impedirá que eles vivam o próprio luto, como também lhe causará mais angústia por tolher seus sentimentos de tristeza e raiva.
 

* Dê um tempo a si mesmo(a) antes de tomar qualquer decisão. O casamento também traz consigo múltiplas responsabilidades jurídicas, sociais e econômicas. Assim, não acrescente à sua dor a preocupação com qualquer outro tipo de problema como heranças ou trâmites decorrentes do seu novo estado civil.
 

* É aconselhável ficar acompanhado(a) o maior tempo possível. O fato de você ter compartilhado com a pessoa falecida o mesmo espaço tornará muito mais difícil acostumar-se com a sua ausência. Por isso, convém você se reunir com parentes e/ou amigos.
 

* Lembrar os momentos felizes que compartilharam, olhar fotografias, observar seus pertences e ler as cartas de amor escritas no passado, constitui uma terapia indicada para aceitar sua nova condição.
 

* Nunca procure "repor" o ser amado o mais rápido possível como uma forma de abrandar a dor e a solidão. Convém pensar nisso quando tiver completado o processo de luto.


Claudia Beltrán Ruget

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

- O VÔO DA BORBOLETINHA PARA O CAMPO ILUMINADO




Um vôo de rara beleza que compete com a linda canção italiana que leva o seu nome.

A iluminação do campo não retrata apenas a interrupção do sofrimento. Significa a grande passagem para um plano onde a saudade dos que ficaram é embalada pelo amor recíproco. A evidência do aspecto temporário da separação.
 
Esse verbo separar é realmente atroz.  Em determinadas situações significa uma despedida da borboletinha que voou com acenos e lágrimas no aeroporto da vida dos entes que queriam e eram queridos. Outras situações não tem espaço neste texto específico para traduzir um eloquente sentimento de perda.

Os que ficaram buscam amparo consolador nas fotos, na sala de projeção do cinema da memória onde momentos felizes foram eternizados com garantia de reprise no futuro ainda indeterminado, nos eventos familiares onde existe a convicção da sua presença espíritual. Enfim, o consolo a qualquer preço para minimizar o sofrimento. Uma missão de grande dificuldade onde o decantado efeito cicatrizante da passagem do tempo é muito relativo.
 
Mesmo com o manto trágico que envolve a ausência física, o cultivo da esperança parece ser o sinal de alento diante da conclusão de que nenhuma relação de amor pode ser exterminada pela morte física. O campo iluminado onde a borboletinha distribui seu amor abundante é o cenário da quietude finalmente alcançada. Onde a dor física da enfermidade não chega. O local abençoado pelas divindades que formaram o grande aparato de recepção para uma criatura tão merecedora.
 
Não há como exaltar a saudade. Esse sentimento só é positivo quando não está aliado ao sofrimento. Na trilha da vida foi muito difícil abrir mão de uma figura tão querida  que bateu asas para o horizonte da eternidade e tão presente na vida dos pais e irmã, os grandes destinatários da quota maior de sofrimento por serem os contemplados com um tempo de convivência maior.
 
Se teu nome é canção, "Além do horizonte" também é. A canção que passa a mensagem :
 
"Além do horizonte deve ter algum lugar bonito para viver em paz.
 
Onde eu possa encontrar a natureza, a alegria e a felicidade com certeza.

Lá nesse lugar o amanhecer é lindo com flores festejando um dia que vem vindo"
 
Se existem flores, a  presença da borboletinha é fatal. A fatalidade positiva que conduz à conclusão de que o sofrimento é passado e a paz eterna, um êxito. 

Para Roberta interpretando o amor dos que ficaram. 
 

Omar Manzanares

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

- PEQUENO LEO. BREVIDADE NA VIDA E LUZ NA ETERNIDADE.


O calendário às vezes é muito cruel. Avança de forma implacável e coloca uma vez mais no cenário a data da sua partida. 03 de Abril do ano passado.

Ano passado que não passou. Retido pelas lágrimas de saudade e dor daqueles que tanto te querem e foram confrontados pela sua ausência de filho e irmão amado que muito amou.

O esquecimento seria uma das missões impossíveis que a vida nos coloca como desafio. Aliás, nem desafio seria. Seria como negar uma das evidências da natureza como o brilho do sol.

Sua breve passagem pelo plano físico coloca como inquestionável o lugar de nobreza que você deve estar ocupando entre as estrelas, a sua moradia definitiva. A grandeza estelar de uma vida breve interrompida pelo imponderável. O imponderável não somente na sua existência como na de todos que te amam e que aqui permanecem cultivando a sua doce memória. Memória de grande pureza como a sua de menino ainda não contaminado pela malícia dos adultos.

Partiu cedo conforme foi determinado pelos desígnios de forças divinas superiores. Aquelas que geram a crença que haverá um ponto de encontro para que a saudade tenha um paradeiro. Um encontro em tempo indefinido mas com a certeza de que vai ocorrer porque, afinal, sua partida apenas antecedeu a de todos que te amam. Nada de verbo amar no passado porque amam tendo a certeza de que no plano onde você se encontra, será alcançado pelos fluídos de amor de pai, mãe e irmãos. Enfim, todos os que foram contemplados pela convivência com você.

A doçura da memória que coloca em desfile momentos felizes compartilhados com você no passado. Um tempo, um local, a fartura de sorrisos que a ocasião gerava e que não serão mais vividos neste plano. O lamento no tempo presente é inevitável e, com certeza, a sabedoria dos que te fazem companhia te farão entender que a intensidade do amor  e  da dor são as duas faces da mesma moeda.

As lágrimas são o tributo a pagar. Não há como retê-las. A saudade envolvente é uma força poderosa e conduz ao choro convulsivo em determinadas datas.

O pranto saudoso será a eterna homenagem a você nesta data. Não receba a mesma com tristeza, pois a alegria de estar num plano iluminado como o que você se encontra vai sobrepujar a saudade que vale também para os que partem pois deixaram um legado de amor imensurável.

Estaremos em eterna e plena convivência espiritual com você até a convergência de nossos caminhos . Um refúgio de luz que nos aguarda.

Até breve.



Omar Manzanares

(Expressando sentimentos de familiares saudosos)



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

- O TREM DA VIDA RUMO À PAZ ETERNA



Um dia desses um jovem me perguntou como eu me sentia sobre a terceira idade.
Levei um susto, porque eu não me vejo como um idoso.

Ao notar minha reação, o garoto ficou embaraçado, mas eu expliquei que era uma pergunta interessante, que pensaria a respeito e depois voltaria a falar com ele.

Pensei e concluí: a velhice é um presente. Eu sou agora, provavelmente pela primeira vez na vida a pessoa que sempre quis ser.

Fico incrédulo muitas vezes ao me examinar, ver as rugas, a flacidez da pele, os pneus rodeando o meu abdomen, através das grossas lentes dos meus óculos. Constantemente examino essa pessoa velha que vive em meu espelho mas não sofro muito com isso.

Não trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, e o carinho de minha família por menos cabelo branco , uma barriga mais lisa ou por mais agilidade nos movimentos.

Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais condescendente comigo mesmo, menos crítico das minhas atitudes. Tornei-me amigo de mim mesmo. Não fico me censurando se quero comer um bolinho-de-chuva a mais, ou se tenho preguiça de arrumar minha cama, ou se compro um anãozinho de cimento que não necessito, mas que ficou tão lindo no meu jardim. Conquistei o direito de matar minhas vontades, de ser bagunceiro, de ser extravagante.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar paciência no computador até às 4 da manhã e depois só acordar ao meio-dia?

Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos das décadas de  60, 70, 80 e se, de repente, lembrar de alguma paixão daquela época, posso chorar mesmo.


Andarei pela praia  e mergulharei nas ondas e darei pulinhos se quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros. Eles também, se conseguirem, envelhecerão.

Sei que ando esquecendo muita coisa, o que é bom para se poder perdoar.
Mas, pensando bem, há muitos fatos na vida que merecem ser esquecidos. E das coisas importantes, eu me recordo freqüentemente mesmo tendo consciência que ao longo dos anos meu coração sofreu muito.

Como não sofrer com a perda de um grande amor, com o sofrimento de uma criança, morte de  um animal de estimação ou com a ausência um ente querido que passou para o plano espiritual ?
Corações partidos são os que nos dão a força, a compreensão e nos ensinam a compaixão.
Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril,nunca conhecerá a alegria de ser forte, apesar de imperfeito.

Sou abençoado por ter vivido o suficiente para ver meu cabelo embranquecer e ainda querer tingi-los a meu bel prazer e por ter os risos da juventude e da maturidade gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes que seus cabelos pudessem ficar prateados.

Conforme envelhecemos, fica mais fácil ser positivo e ligar menos para o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
Conquistei o direito de estar errado e não ter que dar explicações.

Assim, respondendo à pergunta daquele jovem , posso afirmar: "Eu gosto de ser velho". Libertei-me!

Gosto da pessoa que me tornei. Não vou viver para sempre, mas enquanto estiver por aqui, não desperdiçarei meu tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupando com o que virá. E comerei sobremesa todos os dias e repetirei, se assim me aprouver.

E penso que nunca me sentirei só. Sou receptivo e carinhoso, e se amizades antigas teimam em partir antes de mim, outras novas, assim como você, vêm a mim buscar o que terei sempre para dar enquanto viver:

EXPERIÊNCIA E MUITO AMOR! 
Autor Desconhecido

Postagem Sugerida por Laura E. Taylor



                     




segunda-feira, 17 de setembro de 2012

- AMORES, PERDAS, PARTIDAS E SAUDADE



Falar em perdas é falar em solidão, tristeza, desesperança e medo.

Quando digo perdas, não estou me referindo apenas aos que morrem, mas a todos que, de alguma forma nos deixam prematuramente antes que estejamos preparados.

Um amigo que se muda para longe, um namoro interrompido abruptamente e até mesmo um ente querido que se vai, sempre provoca em nós uma sensação de vazio.

E por que isso ?

Por que sofremos tanto mesmo sabendo que estas perdas são inerentes à vida e que, portanto, não podemos controlá-las ?

Não saberia responder com precisão as perguntas acima, mas o que me parece mais coerente é que nunca estaremos prontos para nos conformar com a falta dos que amamos.

Por mais que saibamos que a qualquer instante eles nos faltarão, temos sempre a predisposição para acreditar que quem nos ama nunca nos trairia nos privando de seu afeto, carinho e amor.

Ledo engano.

São justamente aqueles que amamos que mais nos machucam com suas partidas inesperadas. Partem sem aviso prévio e nos levam a felicidade, a fé na vida e o equilíbrio.

O que fazer então ?

Não amar ?
  
Não nos permitir gostar de alguém pelo simples fato de que seremos mais cedo ou mais tarde deixados para trás na vida, entregues às nossas angústias e remorsos por não ter dito tudo  ou feito o suficiente por eles ?

Creio que não.

Se há algo na vida que mais nos traz felicidade é saber que somos queridos e não seria honesto nos privar de tal sentimento por covardia.

Um amor de pai e mãe, o carinho de um amigo ou afeto de uma relação a dois deve sempre sobrepujar o medo da perda  porque ela é inevitável. O sentimento não e, por esse motivo, deve ser exercitado todos os dias de nossas breves vidas.

Ele é o que nos move, nos dá o chão para que possamos caminhar pela vida com certeza de que, haja o que houver, teremos sempre alguém com quem contar e que nos apoiará mesmo nos momentos em que não temos razão.

Esta deve ser a maior lição deixada pelos que partem sem nos avisar.

Devemos sempre curtir aqueles que amamos com a intensidade proporcional à brevidade de uma vida porque quando nos faltarem saberemos que amamos e fomos amados, que demos e recebemos todo o carinho esperado e que construimos um sentimento que nenhuma perda poderá apagar.

Este sentimento transcende o espaço e o tempo e não se limita ao contafo físico.

Torna-se parte de nós, impregnado em nossa alma nos confortando nos dias difíceis, sendo cúmplice de nossas vitórias pessoais, norteando nossa conduta, nos fazendo sentir eternamente amados.

Que me perdoem os físicos, mas, neste caso, acredito sim que dois corpos podem ocupar o mesmo lugar no espaço.
Basta permitir o sentimento da presença dos que amamos dentro de nós como se fossem parte de nossa alma. Só assim seremos inteiros.

Aqueles que amamos nunca morrem. Apenas partem antes de nós.

Autor desconhecido.

Postagem sugerida por Aldy Roberta Asam Penha.




quarta-feira, 12 de setembro de 2012

- O BOM ALUNO NA ESCOLA DA VIDA


A vida me ensinou...
A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",
embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher.
Charles Chaplin



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

- PSICOTERAPIA DO LUTO





Nossa clínica oferece um atendimento diferenciado neste momento de crise em sua vida. Perder um ente querido traz a tona sentimentos de muito sofrimento e uma desorganização geral, que exige um esforço adicional para se reorganizar emocional, familiar, social, profissional e muitos casos financeiramente.

Na psicoterapia de luto, enfatizamos que quanto antes poder lidar com esta situação entendendo e aceitando a morte como uma experiência normal da vida familiar, irá facilitar esta retomada. A tristeza e a saudade estarão presentes, mas dor que muitas vezes chegamos a sentir no próprio corpo, esta deverá desaparecer.

Terapia de luto em grupo: é um espaço para compartilhar as manifestações de sofrimento e pesar, percebendo que através dos outros os seus sentimentos são pertinentes ao processo de luto, você não está sozinho e poderá sentir o apoio do grupo, durante o processo de luto, que exige de cada um reorganizar-se interna e externamente.

Grupos de Luto:
·       Pais que perderam filhos e filhos que perderam pais
- aos sábados: 9:30h às 11:00h
- às quintas das 9:30h às 11:00h
·       Viúvos e viúvas
- aos sábados: 11:00h às 12:30h
- às quintas das 9:30h às 11:00h
·       Apoio a pessoas enlutadas por suicídio
- às terças: 9:30h às 11:00h.
- às quintas das 9:30h às 11:00h

Contato: (11) 5049-0547       

sábado, 1 de setembro de 2012

- COMPARAR A INTENSIDADE DA DOR. INSENSIBILIDADE OU IGNORANCIA ?



A dor da perda de um ente querido e sua intensidade jamais poderão ser objeto de comparação, principalmente utilizando o grau de parentesco de quem partiu como essência. 

O raciocínio lógico representa o extermínio de qualquer argumento no sentido que situações diferentes jamais poderão ser comparadas ainda que o sofrimento seja o lugar comum.

As experiências traumáticas e dolorosas decorrentes das perdas são um elemento de transformação  quando há possibilidade de extrair  o positivo do processo e ter que ouvir que a intensidade  pessoal da dor não se compara à de fulano é realmente um fator de retrocesso e , infelizmente, uma das manifestações  mais presentes no colar de "pérolas" que  o enlutado ouve na fase posterior ao sepultamento ou cremação do seu ente querido. É justamente nesta fase que ocorre a constatação da perda e o flagelo de ter que contemplar a ausência física do falecido quando a busca do consolo quase sempre tem o desespero como ingrediente principal. Comparar  está muito longe do  amparo consolador. 

É realmente um desalento constatar que mesmo em grupos de ajuda essa comparação (filho/cônjuge) ocorre com uma frequência desconcertante se for levada em consideração que se trata da última coisa que alguém, que saiu em busca de uma bóia após um naufrágio devastador, deveria ouvir.

A superação da etapa de "aprendizagem" a viver sem a companhia de quem se foi é delicadíssima. Se não for ultrapassada essa fase  de intenso sofrimento, a aceitação da perda se tornará inviável e a insegurança será reforçada e o enlutado pode se sentir inútil diante dos desafios.

É justamente que pela delicadeza dessa situação, um "filtro oral" antes de verbalizar frases de consolo é um procedimento de bom senso , grande sabedoria e, principalmente,  respeito pela dor alheia.



Omar Manzanares


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

- POEMA DO ADEUS



Então eu fiz um bem dos males que passei
Fiz do amor uma saudade de você
E nunca mais amei.
Deixei nos olhos seus meu último olhar
E ao bem do amor eu disse adeus 

Caminho o meu caminho
E nos lugares que passei
As pedras do caminho são o pranto que chorei
Escondo em minhas mãos carinhos que eram seus
E guardo sua voz no Poema do Adeus 

Luiz Antonio

 Ouça a canção:

domingo, 26 de agosto de 2012

- GRUPO VINICIUS. UMA MEMÓRIA CARIDOSA PARA LEMBRAR DOS ESQUECIDOS


O trabalho voluntário sempre foi e será  um dos componentes primordiais do Plano A para  o enfrentamento da dor pungente gerada pelo sofrimento decorrente do luto.  Uma gama de opções surge para minimizar o sofrimento humano e uma delas receberá uma singela homenagem através deste texto:

Um grupo de seres especiais tem um "happy hour" diferente aos Sábados. Estão iniciando os preparativos para a missão reservada para poucos que  absorvem e colocam em prática o lema da sua concepção religiosa: "Fora da caridade não há salvação". 

As ruas de determinadas regiões de um grande centro urbano como São Paulo se convertem num gigantesco dormitório para aqueles que, por distintos dramas humanos, perderam a sua bússola na vida. Algo que não é tão difícil assim acontecer considerando a tragédia social gerada pela nossa dramática distribuição de renda e consequentes dramas familiares.

Por concepções pessoais que nosso raciocínio linear não consegue entender, dispensam os albergues públicos e preferem o flagelo de dormir enfrentando uma baixa temperatura quando  o papelão substitui um simples cobertor e, para alguns, esse sofrimento atroz só encontra  a redenção quando ocorre a  passagem para o plano espiritual onde a grandeza independe de bens materais. Náufragos que, enfim, avistam uma balsa. Um verdadeiro renascer.

A distribuição semanal de alimentos é simbólica. Um símbolo de que uma memória caridosa existe e é embalada pela nobreza de um sentimento tão raro em nossos dias : o respeito. Respeito em ouvir histórias porque cada indigente tem a sua. Respeito na delicadeza de tratamento quando os alimentos são oferecidos. Respeito, enfim, por gerar a constatação de que a caridade é uma virtude sublime.

A gratidão ?

Ela acontece sim. Alguns esquecidos não hesitam em expressar seu agradecimento através de frases conhecidas. A maioria delas expressando seus votos de que a benção divina abrace os missionários dotados da divina memória.

Apesar de ser de um valor  inestimável, a verdadeira gratidão é gerada pela consciência dos voluntários. Aquela que proporciona o aconchego da paz gerada pela nobreza de suas ações.

Uma nobreza digna de poucos. Os voluntários eleitos para serem os atores dignos de aplausos nesse palco da trágica luta pela sobrevivência.

Omar Manzanares