A dor da perda de um ente querido e sua intensidade jamais poderão ser objeto de comparação, principalmente utilizando o grau de parentesco de quem partiu como essência.
O raciocínio lógico representa o extermínio de qualquer argumento no sentido que situações diferentes jamais poderão ser comparadas ainda que o sofrimento seja o lugar comum.
As experiências traumáticas e dolorosas decorrentes das perdas são um elemento de transformação quando há possibilidade de extrair o positivo do processo e ter que ouvir que a intensidade pessoal da dor não se compara à de fulano é realmente um fator de retrocesso e , infelizmente, uma das manifestações mais presentes no colar de "pérolas" que o enlutado ouve na fase posterior ao sepultamento ou cremação do seu ente querido. É justamente nesta fase que ocorre a constatação da perda e o flagelo de ter que contemplar a ausência física do falecido quando a busca do consolo quase sempre tem o desespero como ingrediente principal. Comparar está muito longe do amparo consolador.
É realmente um desalento constatar que mesmo em grupos de ajuda essa comparação (filho/cônjuge) ocorre com uma frequência desconcertante se for levada em consideração que se trata da última coisa que alguém, que saiu em busca de uma bóia após um naufrágio devastador, deveria ouvir.
A superação da etapa de "aprendizagem" a viver sem a companhia de quem se foi é delicadíssima. Se não for ultrapassada essa fase de intenso sofrimento, a aceitação da perda se tornará inviável e a insegurança será reforçada e o enlutado pode se sentir inútil diante dos desafios.
É justamente que pela delicadeza dessa situação, um "filtro oral" antes de verbalizar frases de consolo é um procedimento de bom senso , grande sabedoria e, principalmente, respeito pela dor alheia.
Omar Manzanares

Nenhum comentário:
Postar um comentário