quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

- O INGRESSO DA MORTE NO MUNDO INFANTIL

 





"A decantada superioridade racional dos humanos somente estará configurada quando existir de forma paralela aos sentimentos nobres do amor e da compaixão pelos outros seres vivos com o mesmo direito de compartilhar sua existência neste planeta. Não há ser superior dotado de crueldade e intolerância".

A frase acima é do autor deste texto e veiculada através de outro Blog específico para a Proteção Animal.

Apesar de serem constatados inegáveis episódios de crueldade infantil, a criança tem uma  disparidade absoluta em relação ao adulto em termos de afeição aos pets considerando a pureza do amor ainda não moldado pelas batalhas travadas  na "guerra" da vida como a competição e o sucesso a qualquer preço,etc.

Regulamentos de condomínio foram "animalizados" e permitem pets de pequeno porte e o grande argumento dos moradores (pais) é com uma frequência espantosa, o amor de seus filhos ainda crianças por esses novos "membros da família". O tal de "amor criança" que os poetas usam e abusam.

Nesse contexto, é devastadora  para a mente infantil a visita da morte e ineficazes as tentativas de explicação por parte de adultos como "foi para o céu",etc. A ausência dita suas regras implacáveis e, normalmente, se busca outro pet para substituir o que partiu para outro plano de existência. Sim, há  grandes correntes espiritualistas que sustentam a crença que a alma animal também passa para uma nova esfera no Astral, porém, polêmica está longe de ser o alvo desta abordagem.

No caso de um cão, o cenário é de uma beleza indescritível. Dois amores incondicionais em desfile sob o manto do amor que deleta a crueldade humana e a agressividade da reação instintiva  animal.
É pena que devido às mencionadas "batalhas" para nossa existência  não temos muito tempo para reparar nessas coisas e, em alguns casos, só passamos a ter sensibilidade de admirar cenas de afeto explícito depois que passamos pela perda de um ente amado e após a ultrapassagem da fase aguda do luto. A sensibilidade recebeu a adição do imponderável e, em muitos casos, na contramão da revolta, o grande efeito positivo é a opção do amor pelo próximo com a maior proximidade da pureza infantil e seu amor por um pet.

Há pessoas que fazem longas caminhadas em um parque público sem reparar na beleza do lago com seus cisnes que Tchaikowski transformou em música erudita. As crianças sim notam a existência desses irmãos irracionais alados que deslizam sobre a água porque a sensibilidade curiosa é o primeiro passo da mesmas para um gesto de afeto sem o descaso inconsciente dos adultos. O impulso de dar algum alimento é arrebatador.

Não é somente Ataulfo Alves,  que em "Tempos de Criança" , uma das mais belas canções em idioma português, retratou a nossa vontade de adquirir uma passagem para o trem da vida no sentido inverso ao ingressar no túnel do tempo.  Creio que todos cultivamos esse desejo de satisfação impossível e os nossos pets da época ocupam um papel de destaque nesses devaneios. Momentos inigualáveis  na fase adulta. Ataulfo não sabia explicar porque " a gente cresce se não sai do peito essa lembrança" e creio que nenhum mortal conseguiria.

Incentive o cultivo do amor da criança pelo seu pet, seja ele adquirido ou adotado para escapar do abandono cruel que jamais seria ocasionado pela  ação de uma criança. A contabilidade gerenciada pelas divindades costumam registrar esses créditos.

Omar Manzanares





sábado, 12 de janeiro de 2013

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- MENDIGOS EMOCIONAIS


A viuvez causa um efeito muito sério (pelo menos em mim – viúvo há apenas, duras penas, quase três meses): tornamo-nos verdadeiros mendigos emocionais...
Assim como os pedintes que infelizmente grassam pelas ruas de nossa metrópole, sinto como se precisássemos das migalhas que cada dia tem - ou não – a nos oferecer.
Tal quais aqueles veteranos da guerra do Vietnã, amputados também estamos. Sem querer estabelecer uma escala de valores, mas, certamente nós fomos amputados de nossa melhor parte (assim é como sinto, pois que fui amputado de minha Alma). 
Embora consciente de que minha amada vive plenamente no plano dimensional imediatamente mais sutil que este que compartilhamos no momento, embora às vezes consiga algum contato em níveis igualmente sutis, a DOR é inevitável pela vontade de estar junto a ela novamente... E isso coloca toda e qualquer sutileza por terra!
Em suma, o Vazio é tão imenso que pergunto: passarei todos os meus dias recolhendo estas migalhas emocionais? Eventuais ombros amigos, uma ou outra piadinha, uma ou outra preocupação, distração, momento de falsa esperança em dias melhores, consolos medíocres, embora muito bem-intencionados, etc., só para perceber que o tempo passou?
Obrigado por mais esta migalha em forma de texto, Senhor! Não é justo, mas é “o que tem pra hoje”... Derramar minhas lágrimas por escrito!

Apenas um viúvo




sábado, 5 de janeiro de 2013

- REINVENTANDO O FINAL



A separação da pessoa amada causa tamanha consternação, que seu efeito devastador atinge-nos física e emocionalmente, para sempre”.

Ao ler essa informação, não poderia supor que, em breve, a  viveria intensamente.
Deixar meu companheiro de tantos anos, numa cova do cemitério, foi perder a razão de viver.
Tudo aconteceu tão rápido!  As imagens ficaram borradas, sem significado.
Eu tremia muito (será que ele também estaria com frio?) – apesar do calor da tarde - e tinha a boca tão seca (e o coração) como se estivesse num deserto há dias.
 “O lugar em que estamos no mundo nos dá a percepção de quem somos. Influencia nossas atitudes e nos fundamenta.”
Onde eu estava? Para onde eu iria tão só?

Alguém disse que, nos momentos de dor profunda, de grandes tragédias, o mundo fica isento de cor. Ficamos consternados e agimos como se uma carga muito pesada nos obrigasse a vergar. A impressão é que não suportaremos.
 “Deus só nos permite o peso que pudermos levar”. 
Se isso for verdade... “ Estou sucumbindo, sou frágil, Senhor”!
Alguém me obrigava a andar, mas meus olhos teimavam em ficar com ele, se negavam a deixá-lo sozinho.
Ainda hoje, 4 meses após a separação, acordo e o procuro ao meu lado.

Tenho a esperança de que, fechando os olhos e tentando dormir, conseguirei escapar de tão grande pesadelo:  a realidade.
Um pedaço de mim separou-se, ficou naquela cova rasa de um cemitério, em 3 de setembro de 2012.
“Recordar é viver”.

Conhecemo-nos numa festa. Eu, tão menina, ele um jovem formando. Minha primeira festa à noite, meu primeiro baile! Tive a certeza que a vida não me faria procurar, lá estava o meu homem, aquele que me acompanharia pela vida. Namoramos, até que eu tivesse tempo de crescer e com 20 anos de idade, fui a mulher mais feliz do mundo. Eu o amei e fui amada. Tivemos filhos e sonhos, nos fortalecemos nos momentos bons e nos não tão bons, crescemos juntos, aparamos inúmeras arestas.

Amigos, amantes, confidentes e cúmplices de indagações que nos consternavam e, que muitas vezes, rindo juntos, concordávamos que sozinhos, não conseguiríamos vencer.
A separação da pessoa amada cria um vazio existencial, difícil de ser preenchido.

Parece que não há consolo, que nada e ninguém conseguem aplacar essa dor que domina soberana.
Faço tentativas de sublimar essa tristeza. Ocupo-me de coisas triviais, travo uma batalha ferrenha dentro de mim.  Mas, apesar desse esforço hercúleo, caminho bem devagar.

Nos meus desvarios, procuro pelos cantos da nossa casa e nos lugares que adorávamos estar juntos, um pouco de alento pra minh’alma que chora de saudade.
Ele está presente nas minhas lembranças, nos meus sonhos, no meu dia a dia.

A vida desmoronou, espalhou os pedaços de mim. Está tão difícil recompor!
Dizem que o luto exige  seu tempo e promete se resolver dentro da gente. Quem sabe!
Penso nele, sonho com ele e quero com ele relembrar o que prometemos há 40 anos, numa fria tarde de setembro (sempre setembro).

Reivindico a lembrança daqueles votos, daquela frase que nos dissemos com olhos de amantes:
 “Prometo amá-lo(a) por toda a minha vida, com amor eterno...na alegria e na tristeza, amando-o, respeitando-o...
Peço-lhe licença, meu amor, para reinventar a frase final:
... mesmo que a morte nos separe!



Mariza Roth