quinta-feira, 27 de setembro de 2012

- O TREM DA VIDA RUMO À PAZ ETERNA



Um dia desses um jovem me perguntou como eu me sentia sobre a terceira idade.
Levei um susto, porque eu não me vejo como um idoso.

Ao notar minha reação, o garoto ficou embaraçado, mas eu expliquei que era uma pergunta interessante, que pensaria a respeito e depois voltaria a falar com ele.

Pensei e concluí: a velhice é um presente. Eu sou agora, provavelmente pela primeira vez na vida a pessoa que sempre quis ser.

Fico incrédulo muitas vezes ao me examinar, ver as rugas, a flacidez da pele, os pneus rodeando o meu abdomen, através das grossas lentes dos meus óculos. Constantemente examino essa pessoa velha que vive em meu espelho mas não sofro muito com isso.

Não trocaria meus amigos surpreendentes, minha vida maravilhosa, e o carinho de minha família por menos cabelo branco , uma barriga mais lisa ou por mais agilidade nos movimentos.

Enquanto fui envelhecendo, tornei-me mais condescendente comigo mesmo, menos crítico das minhas atitudes. Tornei-me amigo de mim mesmo. Não fico me censurando se quero comer um bolinho-de-chuva a mais, ou se tenho preguiça de arrumar minha cama, ou se compro um anãozinho de cimento que não necessito, mas que ficou tão lindo no meu jardim. Conquistei o direito de matar minhas vontades, de ser bagunceiro, de ser extravagante.

Vi muitos amigos queridos deixarem este mundo cedo demais, antes de compreenderem a grande liberdade que vem com o envelhecimento. Quem vai me censurar se resolvo ficar lendo ou jogar paciência no computador até às 4 da manhã e depois só acordar ao meio-dia?

Dançarei ao som daqueles sucessos maravilhosos das décadas de  60, 70, 80 e se, de repente, lembrar de alguma paixão daquela época, posso chorar mesmo.


Andarei pela praia  e mergulharei nas ondas e darei pulinhos se quiser, apesar dos olhares penalizados dos outros. Eles também, se conseguirem, envelhecerão.

Sei que ando esquecendo muita coisa, o que é bom para se poder perdoar.
Mas, pensando bem, há muitos fatos na vida que merecem ser esquecidos. E das coisas importantes, eu me recordo freqüentemente mesmo tendo consciência que ao longo dos anos meu coração sofreu muito.

Como não sofrer com a perda de um grande amor, com o sofrimento de uma criança, morte de  um animal de estimação ou com a ausência um ente querido que passou para o plano espiritual ?
Corações partidos são os que nos dão a força, a compreensão e nos ensinam a compaixão.
Um coração que nunca sofreu é imaculado e estéril,nunca conhecerá a alegria de ser forte, apesar de imperfeito.

Sou abençoado por ter vivido o suficiente para ver meu cabelo embranquecer e ainda querer tingi-los a meu bel prazer e por ter os risos da juventude e da maturidade gravados para sempre em sulcos profundos em meu rosto. Muitos nunca riram, muitos morreram antes que seus cabelos pudessem ficar prateados.

Conforme envelhecemos, fica mais fácil ser positivo e ligar menos para o que os outros pensam. Eu não me questiono mais.
Conquistei o direito de estar errado e não ter que dar explicações.

Assim, respondendo à pergunta daquele jovem , posso afirmar: "Eu gosto de ser velho". Libertei-me!

Gosto da pessoa que me tornei. Não vou viver para sempre, mas enquanto estiver por aqui, não desperdiçarei meu tempo lamentando o que poderia ter sido, ou me preocupando com o que virá. E comerei sobremesa todos os dias e repetirei, se assim me aprouver.

E penso que nunca me sentirei só. Sou receptivo e carinhoso, e se amizades antigas teimam em partir antes de mim, outras novas, assim como você, vêm a mim buscar o que terei sempre para dar enquanto viver:

EXPERIÊNCIA E MUITO AMOR! 
Autor Desconhecido

Postagem Sugerida por Laura E. Taylor



                     




segunda-feira, 17 de setembro de 2012

- AMORES, PERDAS, PARTIDAS E SAUDADE



Falar em perdas é falar em solidão, tristeza, desesperança e medo.

Quando digo perdas, não estou me referindo apenas aos que morrem, mas a todos que, de alguma forma nos deixam prematuramente antes que estejamos preparados.

Um amigo que se muda para longe, um namoro interrompido abruptamente e até mesmo um ente querido que se vai, sempre provoca em nós uma sensação de vazio.

E por que isso ?

Por que sofremos tanto mesmo sabendo que estas perdas são inerentes à vida e que, portanto, não podemos controlá-las ?

Não saberia responder com precisão as perguntas acima, mas o que me parece mais coerente é que nunca estaremos prontos para nos conformar com a falta dos que amamos.

Por mais que saibamos que a qualquer instante eles nos faltarão, temos sempre a predisposição para acreditar que quem nos ama nunca nos trairia nos privando de seu afeto, carinho e amor.

Ledo engano.

São justamente aqueles que amamos que mais nos machucam com suas partidas inesperadas. Partem sem aviso prévio e nos levam a felicidade, a fé na vida e o equilíbrio.

O que fazer então ?

Não amar ?
  
Não nos permitir gostar de alguém pelo simples fato de que seremos mais cedo ou mais tarde deixados para trás na vida, entregues às nossas angústias e remorsos por não ter dito tudo  ou feito o suficiente por eles ?

Creio que não.

Se há algo na vida que mais nos traz felicidade é saber que somos queridos e não seria honesto nos privar de tal sentimento por covardia.

Um amor de pai e mãe, o carinho de um amigo ou afeto de uma relação a dois deve sempre sobrepujar o medo da perda  porque ela é inevitável. O sentimento não e, por esse motivo, deve ser exercitado todos os dias de nossas breves vidas.

Ele é o que nos move, nos dá o chão para que possamos caminhar pela vida com certeza de que, haja o que houver, teremos sempre alguém com quem contar e que nos apoiará mesmo nos momentos em que não temos razão.

Esta deve ser a maior lição deixada pelos que partem sem nos avisar.

Devemos sempre curtir aqueles que amamos com a intensidade proporcional à brevidade de uma vida porque quando nos faltarem saberemos que amamos e fomos amados, que demos e recebemos todo o carinho esperado e que construimos um sentimento que nenhuma perda poderá apagar.

Este sentimento transcende o espaço e o tempo e não se limita ao contafo físico.

Torna-se parte de nós, impregnado em nossa alma nos confortando nos dias difíceis, sendo cúmplice de nossas vitórias pessoais, norteando nossa conduta, nos fazendo sentir eternamente amados.

Que me perdoem os físicos, mas, neste caso, acredito sim que dois corpos podem ocupar o mesmo lugar no espaço.
Basta permitir o sentimento da presença dos que amamos dentro de nós como se fossem parte de nossa alma. Só assim seremos inteiros.

Aqueles que amamos nunca morrem. Apenas partem antes de nós.

Autor desconhecido.

Postagem sugerida por Aldy Roberta Asam Penha.




quarta-feira, 12 de setembro de 2012

- O BOM ALUNO NA ESCOLA DA VIDA


A vida me ensinou...
A dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração;
Sorrir às pessoas que não gostam de mim,
Para mostrá-las que sou diferente do que elas pensam;
Fazer de conta que tudo está bem quando isso não é verdade, para que eu possa acreditar que tudo vai mudar;
Calar-me para ouvir; aprender com meus erros.
Afinal eu posso ser sempre melhor.
A lutar contra as injustiças; sorrir quando o que mais desejo é gritar todas as minhas dores para o mundo.
A ser forte quando os que amo estão com problemas;
Ser carinhoso com todos que precisam do meu carinho;
Ouvir a todos que só precisam desabafar;
Amar aos que me machucam ou querem fazer de mim depósito de suas frustrações e desafetos;
Perdoar incondicionalmente, pois já precisei desse perdão;
Amar incondicionalmente, pois também preciso desse amor;
A alegrar a quem precisa;
A pedir perdão;
A sonhar acordado;
A acordar para a realidade (sempre que fosse necessário);
A aproveitar cada instante de felicidade;
A chorar de saudade sem vergonha de demonstrar;
Me ensinou a ter olhos para "ver e ouvir estrelas",
embora nem sempre consiga entendê-las;
A ver o encanto do pôr-do-sol;
A sentir a dor do adeus e do que se acaba, sempre lutando para preservar tudo o que é importante para a felicidade do meu ser;
A abrir minhas janelas para o amor;
A não temer o futuro;
Me ensinou e está me ensinando a aproveitar o presente,
como um presente que da vida recebi, e usá-lo como um diamante que eu mesmo tenha que lapidar, lhe dando forma da maneira que eu escolher.
Charles Chaplin



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

- PSICOTERAPIA DO LUTO





Nossa clínica oferece um atendimento diferenciado neste momento de crise em sua vida. Perder um ente querido traz a tona sentimentos de muito sofrimento e uma desorganização geral, que exige um esforço adicional para se reorganizar emocional, familiar, social, profissional e muitos casos financeiramente.

Na psicoterapia de luto, enfatizamos que quanto antes poder lidar com esta situação entendendo e aceitando a morte como uma experiência normal da vida familiar, irá facilitar esta retomada. A tristeza e a saudade estarão presentes, mas dor que muitas vezes chegamos a sentir no próprio corpo, esta deverá desaparecer.

Terapia de luto em grupo: é um espaço para compartilhar as manifestações de sofrimento e pesar, percebendo que através dos outros os seus sentimentos são pertinentes ao processo de luto, você não está sozinho e poderá sentir o apoio do grupo, durante o processo de luto, que exige de cada um reorganizar-se interna e externamente.

Grupos de Luto:
·       Pais que perderam filhos e filhos que perderam pais
- aos sábados: 9:30h às 11:00h
- às quintas das 9:30h às 11:00h
·       Viúvos e viúvas
- aos sábados: 11:00h às 12:30h
- às quintas das 9:30h às 11:00h
·       Apoio a pessoas enlutadas por suicídio
- às terças: 9:30h às 11:00h.
- às quintas das 9:30h às 11:00h

Contato: (11) 5049-0547       

sábado, 1 de setembro de 2012

- COMPARAR A INTENSIDADE DA DOR. INSENSIBILIDADE OU IGNORANCIA ?



A dor da perda de um ente querido e sua intensidade jamais poderão ser objeto de comparação, principalmente utilizando o grau de parentesco de quem partiu como essência. 

O raciocínio lógico representa o extermínio de qualquer argumento no sentido que situações diferentes jamais poderão ser comparadas ainda que o sofrimento seja o lugar comum.

As experiências traumáticas e dolorosas decorrentes das perdas são um elemento de transformação  quando há possibilidade de extrair  o positivo do processo e ter que ouvir que a intensidade  pessoal da dor não se compara à de fulano é realmente um fator de retrocesso e , infelizmente, uma das manifestações  mais presentes no colar de "pérolas" que  o enlutado ouve na fase posterior ao sepultamento ou cremação do seu ente querido. É justamente nesta fase que ocorre a constatação da perda e o flagelo de ter que contemplar a ausência física do falecido quando a busca do consolo quase sempre tem o desespero como ingrediente principal. Comparar  está muito longe do  amparo consolador. 

É realmente um desalento constatar que mesmo em grupos de ajuda essa comparação (filho/cônjuge) ocorre com uma frequência desconcertante se for levada em consideração que se trata da última coisa que alguém, que saiu em busca de uma bóia após um naufrágio devastador, deveria ouvir.

A superação da etapa de "aprendizagem" a viver sem a companhia de quem se foi é delicadíssima. Se não for ultrapassada essa fase  de intenso sofrimento, a aceitação da perda se tornará inviável e a insegurança será reforçada e o enlutado pode se sentir inútil diante dos desafios.

É justamente que pela delicadeza dessa situação, um "filtro oral" antes de verbalizar frases de consolo é um procedimento de bom senso , grande sabedoria e, principalmente,  respeito pela dor alheia.



Omar Manzanares