domingo, 22 de julho de 2012

- COMO LIDAR COM O LUTO



COMO LIDAR COM O LUTO


É natural perguntar-se “Por quê?” num momento de angústia. Uma resposta geral, que é realmente óbvia mas difícil de aceitar num estado de sofrimento emocional, é que não é lógico limitar o Criador em Seus desígnios e ações para  que estes se conformem ao entendimento de um ser humano criado.  .

Embora a alma seja eterna e esteja agora num estado não restringido pelas limitações do corpo, está plenamente cônscia daquilo que acontece na família. Quando vê que é causa de tristeza e luto além dos limites obviamente fica aborrecida e isso não contribui para a paz e felicidade da alma.
Para citar uma ilustração simples: não se pode esperar que uma criança pequena entenda as idéias e ações de um professor erudito, embora este tenha sido criança um dia, e a criança de hoje tenha o potencial de sobrepujar o professor no devido tempo. Quanto mais, então, quando se trata da infinita inteligência do Criador face a face com a inteligência finita e limitada de um ser humano.


A diferença entre um ser humano criado e seu Criador é absoluta. Nossos sábios declaram que um ser humano deve aceitar tudo que acontece, tanto as boas ocorrências quanto aquelas incompreensíveis, com a mesma atitude positiva que “tudo que Deus faz é para o bem”, embora esteja além do entendimento humano.

Esta não é uma revelação tão grande assim mas, como diz a Torá, é difícil para um pessoa aceitar consolo num momento de luto.

Apesar disso, Deus tornou possível aos seres humanos entender alguns aspectos sobre a vida e o pós-vida. Uma dessas verdades reveladas é que a Neshamá (alma) é uma parte da Divindade, e é imortal. Quando chega a hora de ela voltar ao Céu, deixa o corpo e continua sua vida eterna no Mundo da Verdade espiritual.

É também uma questão de bom senso que aquilo que provoca a separação da alma e do corpo (seja um acidente fatal, doença, etc.) pode afetar somente os órgãos vitais do corpo físico, mas não, de maneira alguma, a alma espiritual.

A alma que se foi não pode mais cumprir mitsvot, pois isso é algo que somente pode ser feito em conjunto pela alma e pelo corpo neste mundo material. Mas isso, também, pode ser parcialmente superado quando aqueles que ficaram cumprem mitsvot e boas ações em homenagem, e em benefício, da Neshamá que se foi.

Um outro ponto, também compreensível, é que durante a vida da alma na terra em parceria com o corpo, a alma está “incapacitada”, em alguns aspectos, pelas exigências do corpo (como comer e beber). Até um tsadic (pessoa justa) cuja vida toda é consagrada a Deus, não pode escapar das restrições da vida num ambiente material e físico. Conseqüentemente, quando chega a hora de a alma voltar “para casa”, isto é basicamente uma libertação para ela, que faz a sua subida a um mundo mais elevado, não estando mais restrita por um corpo e ambiente físico. A partir de então, a alma está livre para desfrutar a felicidade espiritual da proximidade com Deus de maneira completa. Este certamente é um pensamento reconfortante.


Alguém poderia perguntar: Se é uma libertação para a alma, porque a Torá prescreve períodos de luto? Não há uma contradição aqui. A Torá reconhece os sentimentos naturais de tristeza sentidos pela perda de um ente próximo e querido, cuja morte deixa um vazio na família. A presença física e o contato com o ente querido serão sentidos profundamente. Portanto, a Torá prescreve determinados períodos de luto para dar expressão a esses sentimentos, e para tornar mais fácil recuperar o próprio equilíbrio e ajustamento.

No entanto, entregar-se a estes sentimentos além dos limites estabelecidos pela Torá – além de ser um desserviço a si mesmo e aos outros, bem como à Neshamá – significaria que a pessoa está mais preocupada com os próprios sentimentos que com os sentimentos da Neshamá que ascendeu a novas alturas espirituais de felicidade eterna. Assim, paradoxalmente, o prolongamento excessivo dos sentimentos de tristeza, devido ao grande amor pelo ente querido que partiu, na verdade causa sofrimento ao ente querido, pois a Neshamá continua a interessar-se pelos parentes que ficaram para trás, vê o que está acontecendo (melhor ainda que antes) e se alegra com eles quando estão felizes, etc.

Não deve ser esquecido que até um evento triste vem de Deus, portanto não pode haver dúvida de que há nele um bom propósito.
Embora a alma seja eterna e esteja agora num estado não restringido pelas limitações do corpo, está plenamente cônscia daquilo que acontece na família. Quando vê que é causa de tristeza e luto além dos limites do razoável estabelecidos pela Torá, obviamente fica aborrecida e isso não contribui para a paz e felicidade da alma.

Mesmo durante a estada da alma nesta vida, o vínculo real entre a pessoa e os membros da família não são físicos, mas espirituais. O que faz a pessoa não é a sua carne, mas seu caráter e qualidades espirituais. Este vínculo permanece e todos aqueles que amaram a pessoa deveriam tentar levar mais gratificação e elevação espiritual à Neshamá por meio de maior apego à Torá em geral, e particularmente no âmbito relacionado com a partida da alma. Ou seja, observar aquilo que é prescrito para o período de Shivá mas não estendê-lo, e da mesma forma, com o período de Shloshim (trinta dias) mas não além disso, e então servir a Deus por meio do cumprimento de Suas mitsvot como o serviço deveria ser – com alegria no coração.

A alma que se foi não pode mais cumprir mitsvot, pois isso é algo que somente pode ser feito em conjunto pela alma e pelo corpo neste mundo material. Mas isso, também, pode ser parcialmente superado quando aqueles que ficaram cumprem mitsvot e boas ações em homenagem, e em benefício, da Neshamá que se foi.

Shivá é um período de luto pela alma de um ente querido que retornou ao Mundo da Verdade. Uma alma judaica é descrita na Torá como “a lamparina de Deus”, pois seu propósito nesta terra é divulgar a luz da Divindade. Sua partida desta terra é um motivo para o luto da maneira prescrita na Torá. Porém, juntamente com isso, não se deve esquecer que a alma é eterna. Também não deve ser esquecido que até um evento triste vem de Deus, portanto não pode haver dúvida de que há nele um bom propósito.

Porém o objetivo essencial de Shivá é que “os vivos devem refletir em seu coração” (Cohêlet 7:2). Isso significa que aqueles que ficaram para trás devem examinar seu coração e reavaliar-se. Devem tentar aperfeiçoar-se em áreas da vida diária que são reais e eternas – i.e., Torá e mitsvot. Na verdade, como a alma que ascendeu ao Céu deixou uma lacuna de boas ações descontinuadas aqui na terra, os parentes e amigos devem fazer uma compensação por meio de esforços adicionais de sua parte.

Dov Greenberg
Stanford Jewish Center
Palo Alto-California-EUA






sábado, 14 de julho de 2012

- LUTO - 4 ESTAÇÕES INSTITUTO DE PSICOLOGIA


SUPORTE PSICOLÓGICO PARA SITUAÇÕES DE PERDA E LUTO
Fundado em 1998
    
A experiência de perder alguém que amamos traz muita dor e desorganização e nos coloca diante de intensas e difíceis emoções que podem dar a impressão de que a vida nunca mais será a mesma. E de fato não será. Será outra porque aquele que perde um ente querido é modificado por esta vivência, passando por um processo de luto que o leva a construir novos significados tanto para as experiências passadas, quanto presentes, transformando as vivências futuras.
Ao mesmo tempo em que passar pelo processo de luto é doloroso, pode ser também fortalecedor, pois ainda que não houvesse o desejo de passar por ele, é possível se restabelecer e crescer com esta experiência. 

Se sempre ouvimos que a única certeza que temos é que um dia vamos morrer, também é certo que as pessoas para quais somos importantes vivenciarão um luto: o luto é um processo que pode ser adiado, mas não evitado, diz Parkes (2001), sendo, portanto, uma experiência tão universal quanto a morte.

Outras perdas importantes que não por morte igualmente nos abalam e geram um profundo sofrimento, sendo necessário viver um processo de luto para que possamos nos reorganizar.

O luto é, portanto, uma possibilidade de gerar um caminho positivo diante da experiência negativa da perda. A vida não será mais a mesma, mas além da experiência da perda podemos carregar em nossa bagagem a experiência de superação e a possibilidade de reconstrução de novas relações e novos sentidos para a vida. 


Enquanto eu viver, você viverá comigo.
Enquanto eu viver, caminharei por onde estivemos e por onde não pudemos ir.
Enquanto eu viver seguirei meu rumo.
E depois te contarei por onde andei.


Aqueles que colaboram para que este luto seja bem elaborado estão cuidando da dor, promovendo saúde e educando para a morte e luto. Este é o papel desempenhado pelas psicólogas Adriana Binotto e Karina Polido, especializadas em lidar com situações de perdas e luto.
Para nós do 4 Estações é um prazer muito grande poder reconhecer e contar com estas profissionais que há anos  preocupam-se em oferecer um cuidado adequado e eficiente aos enlutados, sempre comprometidas com a ética e a responsabilidade social.
 


domingo, 8 de julho de 2012

- INVISÍVEIS MAS NÃO AUSENTES


A morte não é o fim de tudo. Ela não é senão o fim de uma coisa e o começo de outra.
Na morte o homem acaba e a alma começa.
Que digam esses que atravessam a hora fúnebre, a última alegria, a primeira do luto.
Digam se não é verdade que há ali alguém e que não acabou tudo?
Eu sou uma alma. Bem sinto que o que darei ao túmulo não é o meu eu, o meu ser.
O que é o meu eu irá além.
O homem é um prisioneiro. O prisioneiro escala penosamente os muros da sua masmorra.
Coloca o pé em todas as saliências e sobe até o respiradouro.
Aí,  olha e distingue ao longe a campina. Aspira o ar livre e vê a luz.
Assim é o homem. O prisioneiro não duvida que encontrará a claridade do dia, a liberdade.
Como pode o homem duvidar se vai encontrar a liberdade à sua saída ?
Por que não possuirá ele um corpo sutil, etéreo, do qual o nosso corpo humano pode ser senão um esboço grosseiro ?
A alma tem sede do absoluto e o absoluto não é deste mundo. É por demais pesado para esta Terra.
O mundo luminoso é o mundo invisível. O mundo luminoso é o que não vemos.
Os nossos olhos carnais só vêem a noite.
A morte é uma mudança de vestimenta. A alma que estava vestida de sombra vai ser vestida de luz.
Na morte o homem fica sendo imortal.
A vida é o poder que tem o corpo de manter a alma sobre a Terra, pelo peso que faz nela.
A morte é uma continuação e para além das sombras estende-se o brilho da eternidade.
As almas passam de uma esfera para outra e tornam-se cada vez mais luz. Aproximam-se cada vez mais e mais de Deus.
O ponto de reunião é no infinito onde aquele que dorme e desperta vê que é homem. Aquele que é vivo e morre, desperta e vê que é espírito.
Muitos consideram que o falecimento de uma pessoa amada é uma verdadeira desgraça, quando, em verdade, morrer não é finar-se nem consumir-se, mas libertar-se.
Assim, diante dos que partiram na direção da morte, assuma o compromisso de  preparar-se para o reencontro com eles na vida espiritual.
Prossegue em sua jornada na Terra sem adiar as realizações superiores que lhe competem. Elas serão valiosas quando você fizer a grande jornada rumo à madrugada clarificadora da eternidade.
Que Deus nos ilumine hoje e sempre.

                                                          Victor Hugo




quinta-feira, 5 de julho de 2012

- TRANSFORMANDO LÁGRIMAS EM BENÇÃOS


  
“ O cuidar de você é dizer SIM à vida, permitindo-se desfrutá-la no presente, é continuar construindo laços de amor, vivendo uma história que apesar de não ser igualzinha àquela que sonhamos antes, pode vir a ser digna e alegre.
Cuide-se, busque ajuda e aceite a nova realidade que os fatos da vida lhe impuseram, para não perder ainda mais.
Olhe à sua volta e enxergue os laços de amor que você já possui, dando-lhes a chance de amar e de ser amado(a) e de viver a sua história de vida, abraçando as dores e as alegrias sem, contudo, fechar o coração e os olhos para essa vida”.

 Maria Teresa Fialho de Souza Campos 
Livro com o mesmo título deste texto
Postagem sugerida por Humberto Pullin





quarta-feira, 4 de julho de 2012

- ONDE ESTÁ A VERDADE ?


                          
Creio que não há religião superior à verdade. A verdade é o caminho para o qual devemos seguir cada dia. Caminhamos para a verdade porque ela está no alto da montanha com o espelho na mão. Caminhamos para ela, vamos em busca dessa verdade como o caminheiro que sobe a montanha e a cada dia avista mais um vale.
Crer ou não crer não resolve o problema. A gente crê no micróbio porque o micróbio existe. A gente crê na evolução porque existe a evolução. São fatos provados. A questão é ser ou não ser e isto podemos descobrir através da nossa evolução, da nossa impressão e do nosso próprio conhecimento.
De maneira geral, admite-se a existência do espírito imortal e em torno dele se edifica uma crença vaga e nebulosa que não exerce nenhuma influência construtiva de caráter na maioria dos seus crentes e indagadores.
Qual a consequência prática disso ?
É que na vida quotidiana, crentes e indagadores se confundem todos na mesma massa humana temerosa da morte, sedenta de gozos materiais e indiferente aos direitos e liberdades dos outros.
Depois da morte a vida deve continuar, mas esse é um problema que cada um tem que descobrir e buscar por si. Cada um deve desvendar o seu passado, presente e futuro através da sua vontade, raciocínio e percepção.
Depois da morte não começa a vida. A morte é uma continuação da própria vida. É o caminho para a nossa própria glorificação.

Prof. Arthur Riedel
Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento