terça-feira, 13 de novembro de 2012

- NATAL E ANO NOVO. O VAZIO QUE NOS ATINGE EM CHEIO



Uma época na qual a reflexão sobre a vida assume um papel de destaque e a ausência de um ente querido estará dolorosamente marcante em contraponto ao fascínio da posse sobre qualquer bem material que o enlutado poderá receber como presente. Um clima geral de alegria e a dor reservada e segregada em corações ainda em sofrimento. Choro incontido e escondido que caracteriza a postura semelhante à de um incêndio  quando para combater as labaredas só resta minimizar os danos considerando que a Depressão encontra um campo enorme para avançar e prostar suas vítimas.

Os problemas paralelos como desemprego, instabilidade financeira,etc  se constituem nos ingredientes negativos no coquetel que vai gerar um trago amargo.

Sugestões práticas para enfrentamento existem e devem ser tentadas com determinação principalmente a dedicação  à Filantropia. É  através dessa "ferramenta" que nos deparamos com uma variedade enorme da graduação do sofrimento humano , o qual temos o poder de minimizar através da caridade e a eficácia gratificante que a mesma gera em nossa alma em busca de um momento de paz para ingressar em novo ano com uma estrutura mais sólida para a aceitação dessa ausência que maltrata tendo como grande "auxiliar" a lembrança de momentos vividos em  eventos natalinos anteriores. Não vamos escapar dessa se for considerado o evento em si independente da crença ou negação da existência do Cristo.

O início do último trimestre do ano se transforma numa  largada para uma contagem regressiva que envolve o enlutado sofredor o qual vê no horizonte mais próximo o mês de Dezembro e suas características que induzem a um clima de confraternização e um evento top no Calendário Promocional de várias empresas em busca do pico de vendas. A inutilidade da indignação sobre essa concepção mercantilista é um convite à resignação para aceitar o fato de que essa característica não mudará no futuro.

Considerar que muitos   presentes são doados com amor é uma postura racional e qualquer ação movida por esse sentimento afetivo será um marco respeitável e positivo nas relações interpessoais.

O ente querido que causa a saudade dolorosa não estará presente. Um flagelo íntimo de proporções insurportáveis para alguns com o detalhe adicional que terão que tomar a decisão de não  prejudicar um ambiente festivo ao irradiar tristeza. Optar pela solidão e buscar uma  dose extra de tenacidade para o enfrentamento dessa  batalha que o calendário torna inevitável é uma das saídas mais sofridas. Uma opção a ser respeitada embora, como sempre, mal compreendida considerando a incapacidade de empatia da alma humana que jamais terá uma noção real do que significa a perda de um ser amado até viver essa inevitável situação.

Pessoas especiais tem esse poder de empatia, porém, são uma minoria silenciosa diante do som produzido pelo dobrar dos Sinos de Belém. São, por exemplo, os plantonistas do CVV que tem como escopo humanitário a prevenção ao suicídio e estarão sempre a postos para dar conta  do aumento dramático do número de chamadas telefônicas enquanto o galo tem a celebração da sua missa.

A determinação na ultrapassagem desse período é tudo. Buscar a convicção que amanhã será outro dia (ou outro ano) é a essência da preservação da vida  através da iniciativa de absorver a concepção de que ousar lutar é ousar vencer. Essa ousadia está implícita na nossa humildade em buscar e aceitar ajuda profissional, religiosa ou simplesmente humanitária de entidades e pessoas voltadas para essa postura altruísta.

Omar Manzanares