quarta-feira, 24 de outubro de 2012

- VIUVEZ E LUTO PELA MORTE DO CÔNJUGE

 

Para os psicólogos, se o luto pela morte de um filho é dos mais dolorosos, a perda do cônjuge é considerada um golpe psicológico grave.
 

Você viveu com o cônjuge o passado (durante o noivado), o presente (a relação conjugal, a qual sempre esteve cercada de pequenos ou grandes conflitos, de compromissos econômicos e de responsabilidades compartilhadas) e o futuro (que representava os projetos, os quais já não poderão ser compartilhados, portanto você os assumirá sozinho (a) ou simplesmente cairão no esquecimento).
 

A psicóloga clínica Doris Jaramillo sustenta que a recuperação pela morte do cônjuge dependerá do grau de afeto ou, ao contrário, de conflito existente entre os dois, assim como das expectativas e da dependência mútua no momento da morte.
 

Se você teve uma relação conflitiva com seu esposo ou esposa, certamente, depois da sua morte, virão à tona muitos complexos de culpa. Você se cobrará continuamente por não ter feito algo para que o casamento se tornasse mais feliz ou pensará que talvez ele (a) não tivesse sido tão mau, mas você nunca o (a) entendeu. Além disso, talvez não falte quem lhe diga: " Bom, pelo menos você descansou dele (ou dela)" ou "Deus quis que isso acontecesse para que você pudesse refazer sua vida". Esse tipo de consolo, em vez de favorecer seu estado de ânimo, confude e invalida seu direito ao luto, quaisquer que tenham sido as circunstâncias que cercaram seu casamento.
 

Se sua relação era muito intensa e feliz, a raiva diante do que aconteceu será a sua primeira sensação: "Deus, por que foste tão injusto comigo?" ou "Por que o (a) levaste de mim, se éramos tão felizes ?". No entanto, como você não guarda rancor do ser amado e não tinham problemas graves, a perda será dolorosa, porém, não traumática. Essa relação entre os cônjuges, forte e vital, contrária àquela caracterizada por graves incidentes, implica uma dificuldade maior para aceitar a realidade da perda. Consequentemente, será muito doloroso aceitar viver sem a outra pessoa durante os primeiros meses e, muito mais ainda, pensar que no futuro terá uma relação com alguém.
 

No entanto, depois de um ano aproximadamente, suas expectativas serão mais claras, levando-o (a) a aceitar a perda e voltar a ter controle sobre sua vida. Será capaz de tomar decisões e a imagem idílica do cônjuge se esvaecerá lentamente. Recordará que seu esposo ou esposa tinha virtudes assim como defeitos. Então, começará uma nova vida.


Sugestões para superar o luto:
 

* Não oculte sua dor procurando evitar o sofrimento dos filhos. Isso não só impedirá que eles vivam o próprio luto, como também lhe causará mais angústia por tolher seus sentimentos de tristeza e raiva.
 

* Dê um tempo a si mesmo(a) antes de tomar qualquer decisão. O casamento também traz consigo múltiplas responsabilidades jurídicas, sociais e econômicas. Assim, não acrescente à sua dor a preocupação com qualquer outro tipo de problema como heranças ou trâmites decorrentes do seu novo estado civil.
 

* É aconselhável ficar acompanhado(a) o maior tempo possível. O fato de você ter compartilhado com a pessoa falecida o mesmo espaço tornará muito mais difícil acostumar-se com a sua ausência. Por isso, convém você se reunir com parentes e/ou amigos.
 

* Lembrar os momentos felizes que compartilharam, olhar fotografias, observar seus pertences e ler as cartas de amor escritas no passado, constitui uma terapia indicada para aceitar sua nova condição.
 

* Nunca procure "repor" o ser amado o mais rápido possível como uma forma de abrandar a dor e a solidão. Convém pensar nisso quando tiver completado o processo de luto.


Claudia Beltrán Ruget

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

- O VÔO DA BORBOLETINHA PARA O CAMPO ILUMINADO




Um vôo de rara beleza que compete com a linda canção italiana que leva o seu nome.

A iluminação do campo não retrata apenas a interrupção do sofrimento. Significa a grande passagem para um plano onde a saudade dos que ficaram é embalada pelo amor recíproco. A evidência do aspecto temporário da separação.
 
Esse verbo separar é realmente atroz.  Em determinadas situações significa uma despedida da borboletinha que voou com acenos e lágrimas no aeroporto da vida dos entes que queriam e eram queridos. Outras situações não tem espaço neste texto específico para traduzir um eloquente sentimento de perda.

Os que ficaram buscam amparo consolador nas fotos, na sala de projeção do cinema da memória onde momentos felizes foram eternizados com garantia de reprise no futuro ainda indeterminado, nos eventos familiares onde existe a convicção da sua presença espíritual. Enfim, o consolo a qualquer preço para minimizar o sofrimento. Uma missão de grande dificuldade onde o decantado efeito cicatrizante da passagem do tempo é muito relativo.
 
Mesmo com o manto trágico que envolve a ausência física, o cultivo da esperança parece ser o sinal de alento diante da conclusão de que nenhuma relação de amor pode ser exterminada pela morte física. O campo iluminado onde a borboletinha distribui seu amor abundante é o cenário da quietude finalmente alcançada. Onde a dor física da enfermidade não chega. O local abençoado pelas divindades que formaram o grande aparato de recepção para uma criatura tão merecedora.
 
Não há como exaltar a saudade. Esse sentimento só é positivo quando não está aliado ao sofrimento. Na trilha da vida foi muito difícil abrir mão de uma figura tão querida  que bateu asas para o horizonte da eternidade e tão presente na vida dos pais e irmã, os grandes destinatários da quota maior de sofrimento por serem os contemplados com um tempo de convivência maior.
 
Se teu nome é canção, "Além do horizonte" também é. A canção que passa a mensagem :
 
"Além do horizonte deve ter algum lugar bonito para viver em paz.
 
Onde eu possa encontrar a natureza, a alegria e a felicidade com certeza.

Lá nesse lugar o amanhecer é lindo com flores festejando um dia que vem vindo"
 
Se existem flores, a  presença da borboletinha é fatal. A fatalidade positiva que conduz à conclusão de que o sofrimento é passado e a paz eterna, um êxito. 

Para Roberta interpretando o amor dos que ficaram. 
 

Omar Manzanares

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

- PEQUENO LEO. BREVIDADE NA VIDA E LUZ NA ETERNIDADE.


O calendário às vezes é muito cruel. Avança de forma implacável e coloca uma vez mais no cenário a data da sua partida. 03 de Abril do ano passado.

Ano passado que não passou. Retido pelas lágrimas de saudade e dor daqueles que tanto te querem e foram confrontados pela sua ausência de filho e irmão amado que muito amou.

O esquecimento seria uma das missões impossíveis que a vida nos coloca como desafio. Aliás, nem desafio seria. Seria como negar uma das evidências da natureza como o brilho do sol.

Sua breve passagem pelo plano físico coloca como inquestionável o lugar de nobreza que você deve estar ocupando entre as estrelas, a sua moradia definitiva. A grandeza estelar de uma vida breve interrompida pelo imponderável. O imponderável não somente na sua existência como na de todos que te amam e que aqui permanecem cultivando a sua doce memória. Memória de grande pureza como a sua de menino ainda não contaminado pela malícia dos adultos.

Partiu cedo conforme foi determinado pelos desígnios de forças divinas superiores. Aquelas que geram a crença que haverá um ponto de encontro para que a saudade tenha um paradeiro. Um encontro em tempo indefinido mas com a certeza de que vai ocorrer porque, afinal, sua partida apenas antecedeu a de todos que te amam. Nada de verbo amar no passado porque amam tendo a certeza de que no plano onde você se encontra, será alcançado pelos fluídos de amor de pai, mãe e irmãos. Enfim, todos os que foram contemplados pela convivência com você.

A doçura da memória que coloca em desfile momentos felizes compartilhados com você no passado. Um tempo, um local, a fartura de sorrisos que a ocasião gerava e que não serão mais vividos neste plano. O lamento no tempo presente é inevitável e, com certeza, a sabedoria dos que te fazem companhia te farão entender que a intensidade do amor  e  da dor são as duas faces da mesma moeda.

As lágrimas são o tributo a pagar. Não há como retê-las. A saudade envolvente é uma força poderosa e conduz ao choro convulsivo em determinadas datas.

O pranto saudoso será a eterna homenagem a você nesta data. Não receba a mesma com tristeza, pois a alegria de estar num plano iluminado como o que você se encontra vai sobrepujar a saudade que vale também para os que partem pois deixaram um legado de amor imensurável.

Estaremos em eterna e plena convivência espiritual com você até a convergência de nossos caminhos . Um refúgio de luz que nos aguarda.

Até breve.



Omar Manzanares

(Expressando sentimentos de familiares saudosos)